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Engenheiros que viram suco: até quando?

Por Luiz Carlos Motta*

Na década de 1980, considerada a década perdida, devido ao descontrole da inflação, um engenheiro que ficou desempregado, montou uma lanchonete na avenida Paulista, em São Paulo, e deu um nome curioso: “O engenheiro que virou suco”. A lanchonete não existe mais. Na semana passada, liguei a televisão e vi um exemplo parecido: duas irmãs formadas em engenharia, sem emprego, resolveram ganhar a vida produzindo e vendendo doces. 

O cenário que estamos vivendo hoje com inflação, alta do custo de vida e desemprego é diferente daquele de 40 anos atrás, mas igualmente preocupante. Hoje, como naquela época, vejo muitos profissionais frustrados, por não conseguirem trabalhar dentro das áreas para as quais estão habilitados. Muitos por não terem opção adotam o trabalho informal, sem carteira assinada ou decidem trabalhar por conta própria, sem CNPJ. Todos são vítimas da precarização do trabalho, com baixa remuneração e perda de direitos. A pior situação, no entanto, é representada pelos desempregados que não conseguem nenhuma forma de trazer comida para casa. 

Para piorar, além da inflação oficial em alta, temos uma inflação não oficial, mais alta ainda, que é aquela representada por produtos e serviços que não estão na cesta de referência e acompanhamento oficial de preços. Tudo isso, diante de um quadro de retração econômica e risco de recessão. Só o aumento no preço da energia elétrica desempregou, nos últimos meses, 166 mil trabalhadores.  

Susto 

Vamos analisar os números oficiais: o desemprego no Brasil atingiu a marca de 14,3% no trimestre encerrado em outubro, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Mensal (PNAD Contínua), divulgada na última semana de outubro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Há quem veja esse percentual com algum otimismo, uma vez que era esperada alta de 14,7%. 

Os números continuam assustadores. Foram contabilizados 14,1 milhões de desempregados no trimestre encerrado em outubro, ou seja, aumento de 7,1% em relação ao trimestre terminado em julho. Isso representa 931 mil pessoas a mais à procura de emprego no País. 

Quanto à população ocupada houve uma alta de 2,8% atingindo 84,3 milhões de pessoas. Analistas consideram, no entanto, que esses números estão relacionados com o retorno das pessoas que estavam afastadas do trabalho devido à pandemia e, também, devido à pressão pela procura por qualquer tipo de ocupação. Pode ser indicativo de início de recuperação, mas, infelizmente, ainda muito lenta. 

A pesquisa mostra ainda que o número de empregados sem carteira assinada no setor privado aumentou 9% em relação ao trimestre anterior, atingindo 9,5 milhões, efeito também observado em relação ao número de trabalhadores por conta própria que cresceu em 918 mil no trimestre encerrado em outubro. Mais precarização. 

A taxa de informalidade preocupa: chegou a 38,8% da população ocupada, o que representa 32,7 milhões de trabalhadores informais no país. No trimestre anterior, essa taxa foi de 37,4%. A pesquisa também aponta estabilidade do rendimento médio real.

Sem comissão 

Mas um dado que a pesquisa não mostra é o efeito ainda mais perverso para quem depende de comissão para composição dos salários. É o caso da maior categoria de trabalhadores urbanos do País, os comerciários, cerca de 12 milhões em todo o Brasil. Com o recuo nas vendas, o efeito é devastador. 

Tenho alertado governos e iniciativa privada, de que emprego se gera com crescimento econômico e investimentos de médio e longo prazo. Isso é necessário para fazer girar a roda da economia. Emprego e renda geram consumo que, por sua vez, aquecem as vendas, que estimulam as encomendas para os setores produtivos e arrecadação para os governos. Precisamos reforçar nossas lutas para evitar que engenheiros continuem virando suco e engenheiras continuem virando doces. 

*Luiz Carlos Motta é Deputado Federal (PL/SP) 

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